O que é?

É uma má-formação craniofacial, alteração congênita que envolve a região do crânio e da face. A mais frequente anomalia craniofacial é a fissura de lábio palatina que se trata de uma abertura na região do lábio e/ou palato, ocasionada pelo não fechamento dessas estruturas entre a quarta e a oitava semana de gestação.

No mundo esta ocorrência é de 1 a cada 1.000 crianças nascidas, e no Brasil, há referência de que a cada 650 crianças nascidas uma é portadora de fissura labiopalatina, sendo que no estado do Ceará essa incidência chega a 1 para cada 550 crianças nascidas. As fissuras labiais e labiopalatinas são mais freqüentes no sexo masculino e as fissuras somente de palato ocorrem mais no sexo feminino. É falsa a impressão de que os casos de lábio leporino e fenda palatina estão aumentando. O que cresceu foi o número de diagnósticos e a taxa de sobrevida dos portadores.

A ultrassonografia tornou possível fazer o diagnóstico das fissuras labiopalatinas a partir da 14ª semana de gestação. Nessa fase, é que os pais permaneçam tranquilos e busquem informações sobre as possibilidades de tratamento. Grande parte dos diagnósticos, porém, continua sendo realizada depois do parto.

A incidência cresce com a presença de familiares fissurados nas seguintes proporções:

• pais normais = 0,1% de chance de ter um filho fissurado
• pais normais e um filho fissurado = 4,5% de chance de ter outro filho fissurado
• um dos pais e um filho fissurado = 15% de chance de ter outro filho fissurado

 

 

Causas

A origem exata dessa má-formação ainda é desconhecida, no entanto, existem evidências que fatores genéticos e ambientais agem em conjunto para a ocorrência das fissuras labiopalatinas. Os fatores ambientais mais observados são: doenças durante a gravidez, uso abusivo de drogas, uso de álcool ou cigarros, a realização de raios-x na região abdominal, idade dos pais, deficiência nutricional, medicamentos anticonvulsivantes ou corticóide durante o primeiro trimestre gestacional entre outras (MORRE, PERSAUD, 2004; FURLANELO et al.,1999; NUNES et al., 1998). É citada também a falta da suplementação de ácido fólico como fator.

A hereditariedade tem sido mencionada como o fator de maior importância no desenvolvimento de fissura, uma vez que vários genes estão relacionados com o desenvolvimento e fechamento do palato. Esta importância da influência hereditária é comprovada quando se observa que a incidência de fissuras cresce com a presença de familiares com esta alteração (VARANDAS e SILVA,1995; ZANINI et al.1995; DI NINNO et al. 2004).

Apesar de todos esses fatores, existem muitos casos que não tiveram nenhum fator de risco aparente, sendo então indeterminada a causa da fissura sem a realização de uma pesquisa mais aprofundada.

 

 

Tipos de fissuras

As fissuras de lábio e de palato podem ocorrer isoladamente, associadas entre si ou mesmo em combinação com outras má-formações e síndromes, apresentando-se em diversos graus de severidade. Podem ser: unilaterais quando atingem somente um lado do lábio ou bilaterais quando há fendas dos dois lados do lábio; incompletas quando atingem apenas o lábio e completas quando atingem além do lábio, o alvéolo; além de atípicas variando desde formas mais leves, como cicatriz labial e a úvula bífida quando a úvula (também conhecida como campainha ou sininho) aparece partida em duas, até formas mais graves que envolvem outras áreas além do lábio superior e palato, como a região oral, nasal, ocular e craniana.

 

 

Tratamento

As fissuras labiopalatinas não são apenas alterações de caráter estético, podem causar diversos problemas de saúde que incluem má nutrição, distúrbios respiratórios, de fala e audição, infecções crônicas, alterações na dentição. Da mesma forma, elas provocam problemas emocionais, de sociabilidade e de autoestima. Por isso, o tratamento requer abordagem multidisciplinar, isto é, a participação de especialistas na área de cirurgia plástica, buço-maxilo-facial, otorrinolaringologia, odontologia e fonoaudiologia.

A fissura labial é corrigida através de uma cirurgia nos primeiros meses de vida do bebê, já a fissura palatina, entre um a dois anos. O fechamento completo é realizado em etapas, a fim de assegurar a integridade do arcabouço ósseo e a funcionalidade da musculatura de oclusão, assim como para evitar a deficiência de respiração e a voz anasalada. A conduta correta é realizar a cirurgia nem cedo demais para não afetar o crescimento ósseo, nem tarde demais para não prejudicar a fala. Existem diferentes abordagens de tratamento, dependendo dos profissionais e do caso.

Na verdade, o tratamento é o longo. Começa no recém-nascido e termina com a consolidação total dos ossos da face, aos dezessete, dezoito anos. Durante todo esse tempo, os portadores de fissuras devem ser acompanhados por especialistas em diferentes áreas, especialmente por cirurgiões plásticos, fonoaudiólogos e ortodontistas.

 

 

Recomendações

* A correção do lábio leporino e da estrutura palatina admite condutas muito variadas. Os pais devem escolher um médico de sua confiança e seguir as medidas terapêuticas que ele aconselha;

* O aleitamento materno é sempre a melhor forma de alimentar a criança nos primeiros meses de vida, mesmo que apresente uma fenda orofacial. Quando não houver possibilidade de oferecer-lhe o seio, existem mamadeiras especiais que podem ser usadas;

* O bebê deverá sempre ser alimentado em uma posição mais sentada, evitando que o leite saia pela cavidade nasal, o ideal é que pare para arrotar no meio da mamada, pois engolem muito ar junto com o leite.

* Após a mamada, manter o bebê no colo em posição vertical por alguns minutos para reduzir a chance de refluxo.

* A orientação dos clínicos das diferentes áreas e o acompanhamento psicológico podem ajudar pais e filhos a enfrentar melhor as fases mais difíceis dessa alteração anatômica congênita.